Žižek discute “Pantera Negra”

O filósofo Slavoj Žižek analisou, no texto “Dois panteras negras”, publicado no blog da editora Boitempo, o filme que já se tornou uma das maiores bilheterias do cinema. Narrativa de super-herói, a fita possui elenco composto majoritariamente por atores negros, ponto a ser destacado em meio à crescente luta identitária na cultura midiática.

No artigo, Žižek recupera o movimento das décadas de 1960 e 1970 do Partido dos Panteras Negras e analisa, entre outros aspectos, as concepções de herói e de vilão na trama.

Žižek questiona se devemos torcer de fato para o herói no filme e coloca em questão a aristocracia negra de Wakanda, que mantém estrategicamente a periferia, que deve assim permanecer para garantir a existência do paraíso na terra. Sua tese principal é a de que a personagem Killmonger é o verdadeiro herói do filme, em paralelo com Bane – o vilão do último filme da trilogia “Batman”, de Christopher Nolan. Ele representaria um líder revolucionário, em referência aos históricos Panteras Negras, que poderia, com a força tecnológica de Wakanda, liderar uma revolução mundial de oprimidos, colocando fim no capitalismo global opressor.

Segundo Zizek, o vilão “advoga uma solidariedade global militante e defende que Wakanda deveria colocar sua riqueza, seu conhecimento e seu poder à disposição dos oprimidos de todo o mundo para que eles possam derrubar a ordem mundial existente”. Sendo assim, para Žižek, Killmonger sonha com uma revolução de oprimidos mesmo que durante o filme ele pareça estar mais para uma ideologia de dominação global de Wakanda sobre outras nações.

A leitura do texto de Žižek é um convite para colocarmos em pauta as questões que o filme aborda e, ao mesmo tempo, problematizá-lo sob alguns pontos de vista, como a representatividade feminina no mundo de Wakanda e a cultura do povo nativo de lá.

 

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