“Male gaze” e a prevalência da visão masculina

Por Victoria Silva Rodrigues. Na década de 70, a Europa vivia sua segunda onda do feminismo. Desde 1960, marcada pelo debate político e pela chamada liberação sexual, o movimento aflorava-se exponencialmente no mundo das artes. Logo, o cinema também obteve grupos de conscientização, realizadoras, produtoras e pensadoras. Dentre elas, temos Laura Mulvey, crítica e teórica feminista que em 1975 lança seu ensaio “Prazer Visual e Cinema Narrativo”, onde Mulvey utiliza a psicanálise para fazer profundas reflexões críticas da imagem da mulher no cinema. Neste texto, a autora cunhou o termo male gaze, em português: o olhar masculino. E é sobre este fenômeno que introduziremos, apresentando o vídeo “Love, Death + Robots: O Male Gaze da Netflix” do canal do YouTube Mimimidias.

No vídeo proposto neste texto, o canal Mimimidias analisa a série Love, Death & Robots, produzida por David Fincher para a Netflix em 2019. Aclamada pelo grande público, a animação fez com que críticas apontassem para a maneira com que seus realizadores retrataram suas personagens femininas, principalmente na hiperssexualização de seus corpos.

A tradução do termo inglês gaze ultrapassa seu sentido literal de olhar. Gaze é o ato de olhar algo ou alguém por um longo período, encarar, contemplar com fixação. O male gaze é o olhar masculino, a visão do homem sobre sua realidade e, não apenas na sétima arte como também em novelas, propagandas, livros e revistas, o male gaze é a perspectiva masculina de uma visão do mundo. E, sucessivamente, a visão masculina sobre uma mulher.

Tal conceito é proposto para analisar uma visão cultural que consumimos e propagamos, sem perceber, diariamente e de maneira aparentemente inofensiva. Está presente em todas as formas de mídia, em todos os conteúdos. De propagandas televisivas e de rádio, até séries e novelas, filmes, livros, matérias de jornais e revistas.

O ensaio de Mulvey foi escrito em um período em que notória parte dos produtores de Hollywood eram homens brancos heterossexuais e suas obras refletiam a cultura da época através do ponto de vista desse diminuto grupo. E, importante ressaltar que grande parte dos produtos aqui feitos tinham como público alvo homens e não incluíam de forma positiva e representativa indivíduos da comunidade LGBTQ+, por exemplo. Entretanto, após quatro décadas do lançamento deste texto e drásticas mudanças nos cenários político e social de maneira em que o progresso inclui cada vez mais mulheres e outros grupos historicamente marginalizados, dando voz às suas vivências e lutas, é inegável a dominância de produtos feitos por homens. De acordo com pesquisas, apenas 4% das diretoras de filmes de Hollywood são mulheres.

Para saber mais, assista ao vídeo do canal Mimimidias.

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