Ensaios

Jornalismo e o trabalho de tradução da experiência de ocupação urbana

 Por Míriam Santini de Abreu e Gislene Silva

O VI Seminário Mídia e Narrativa, com o tema Emergências: novas realidades e as mídias, pautou-se pela constatação de que as mídias têm, historicamente, apagado sujeitos e espaços sociais. Outras narrativas, tanto à margem como em articulação com os meios de comunicação estabelecidos, vêm valorizando vozes até então silenciadas. Entre elas estão as mídias que produzem jornalismo contra-hegemônico, que tem potencial para fazer o trabalho de tradução das experiências sociais que se contrapõem aos modelos hegemônicos ditados pelo capitalismo global, na perspectiva teórica de Boaventura de Sousa Santos.

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Jornalismo alternativo brasileiro: a produção da notícia como iniciativa em economia solidária

Por Elisangela Colodeti

RESUMO: Este ensaio trata do papel do jornalismo contra hegemônico brasileiro, no atual contexto de avanço das políticas neoliberais. Num país onde se vive uma democracia de baixa intensidade e pouco participativa, no qual a distância entre representantes e representados cresce na mesma medida em que o ideal capitalista se edifica enquanto concepção social preponderante, buscaremos entender como o jornalismo alternativo, enquanto parte do campo, se coloca enquanto peça-chave de um conjunto de propostas e práticas de resistência e mudança paradigmática.

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Eu não gosto de Black Mirror

Por Gloria Gomide

Não há como negar que as séries são o melhor formato ficcional adaptado à televisão ‒ difusão regular e pacto com o espectador visto que sua narrativa cumpre a promessa pragmática de regresso.

Como nos antigos folhetins do século XIX, vê-se, portanto que o seriado é sempre composto de uma mesma fórmula. Se no feuilleton original, as histórias ocupavam os rodapés periodicamente, no seriado televisivo as aventuras se desenvolvem sempre no mesmo dia, mesmo horário, com temas atraentes ao público.

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O diálogo sobre o outro e sua subjetividade na reportagem

Por Roberto Barcelos

A sensibilidade aliada à ética é um ponto de embate importante para a jornalista Fabiana Moraes, vencedora do Prêmio Esso de Reportagem em 2011 com o trabalho “O Nascimento de Joicy”. Durante cinco meses de acompanhamento da repórter com a cabeleireira Joicy, nascida no agreste de Pernambuco, que, aos 51 anos, decidiu realizar a cirurgia de redesignação sexual por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

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O machismo introjetado na poesia: formas e conteúdos em O Filme da Minha Vida

Por Nanda Rossi

O “Filme Da Minha Vida”, lançado em agosto deste ano, é o terceiro longa de direção de Selton Mello. Baseado no livro “Um Pai de Cinema”, do chileno Antonio Skármeta, o filme conta uma história ambientada nas Serras Gaúchas nos anos cinquenta. Os pontos a serem discutidos passam, aqui, por três eixos: a forma, a estrutura (como parte da própria forma), e a temática. A forma e a estrutura, elementos principais do filme, sustentam e fazem do longa o que ele primeiramente é: uma beleza dotada de grande dose de poesia. Mas que não apagam, afinal, a problemática no conteúdo — a maneira como a temática foi conduzida e principalmente concluída: a estereotipização das personagens femininas e o machismo de um pai vangloriado que acaba por ser tratado de forma leviana.

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HOMOSSEXUALIDADE NO CINEMA: REALIDADES EM CONFLITO

Por Roberto Barcelos

Pensar sobre cinema é analisar como representações influenciam espectadores e formas de significar o mundo. Em espaços alternativos às produções realizadas pelo audiovisual televisivo, assuntos considerados tabus para muitos são tratados com uma visão crítica e delicada por diretores e roteiristas. Logo, o gay no cinema e suas diversas facetas podem ser enxergados como um ato político de representatividade.

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Fritz Lang e a ideologia: a construção do contraditório entre o cinema e a história

Por Pedro Vaz Perez

Não são muitos os diálogos reservados por Jean-Luc Godard a Fritz Lang em O Desprezo (1963). Mas, naqueles momentos em que ouvimos o personagem-ator-diretor, temos a justa medida de um grande homem que enfrentou o fascismo na Alemanha para cair nas mãos tiranas do produtor hollywoodiano. “Anos atrás, uns anos horríveis atrás, os hitlerianos diziam “revólver”, em vez de “talão de cheques”, ironiza Lang ao responder à provocação do capitalista americano Jeremy Prokosch: “quando escuto a palavra cultura, eu puxo meu talão de cheques”.

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Eu não sou seu negro: o racismo daqui e o racismo de lá

Por Pablo Moreno Fernandes Viana

O Oscar 2017 foi marcado por um momento de transição na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos. Desde as críticas por conta da ausência de representatividade negra nos filmes indicados à premiação em 2016, muito se discutiu a respeito da temática. Isso refletiu nos indicados de 2017: pela primeira vez na história, vários atores e atrizes negros concorreram em diversas categorias. Filmes com temáticas direcionadas aos negros disputaram estatuetas, diretores negros foram indicados, além de haver representantes também em diversas categorias técnicas. Um grande passo rumo a uma maior inclusão e representatividade na principal premiação do cinema comercial no mundo.

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A representação do outro em Deus e o Diabo na Terra do Sol

Por Roberto Barcelos

A promessa de o mar virar sertão e o sertão virar mar é um ponto de esperança na narrativa do filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964). Dirigido e roteirizado pelo cineasta Glauber Rocha com a colaboração do documentarista Walter Lima Jr., o longa-metragem faz valer ao nome o diretor ao lado de outras obras dele, como “Barravento” (1962) e “Terra em Transe” (1967). No filme, encontramos o posicionamento político do diretor como um autor, dono de sua obra e de um pensamento forte de revolução. Todavia, sua temática socialista e a luta do proletariado contra o sistema que o oprime é compreendido, infelizmente, apenas por aqueles que estudam a obra do Glauber Rocha e a sua importância para o cinema nacional.

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Crítica de Mídia e Arte Urbana: manifestações culturais e visibilidades periféricas

Por Rosana de Lima Soares

Na oficina “Crítica de Mídia e Arte Urbana”, buscamos apontar a presença da arte urbana na cidade de São Paulo (SP) e as diferentes narrativas presentes nas mídias a respeito dessa questão, tendo como objetivo analisá-las em perspectiva crítica a partir de aportes dos estudos de discurso e dos estudos culturais. Os objetivos foram: a) compreender a função da crítica de mídia; b) observar diversas narrativas midiáticas em torno de uma mesma questão, enfatizando os estigmas, estereótipos e preconceitos nelas presentes; c) realizar a análise crítica de narrativas midiáticas sobre a questão do grafite na cidade de São Paulo.

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Whitewashing: a herança de um passado xenófobo na indústria do cinema

Por Roberto Barcelos

Apesar das inúmeras contribuições do cinema hollywoodiano para a indústria audiovisual, existem certas lógicas de seu sistema que influenciam a construção social e a marginalização e estereotipização de certos grupos sociais em diversos níveis. O whitewashing é uma forma de violência simbólica que elimina a representação de etnias não caucasianas em filmes, séries, seriados e novelas, criando uma realidade narrativa composta por personagens de aparências homogêneas de acordo com o padrão de beleza vendido por essa indústria. Essa prática recorrente, ainda, elimina a representatividade e naturaliza preconceitos.

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Feminino de peitos

Por Juliana Gusman

Lévi-Strauss, citado por Rodrigues (1979) propõe abordar a sociedade a partir da perspectiva de que o comportamento humano e as relações sociais constituem uma linguagem. Para o autor, o espírito humano opera em uma estruturação inconsciente que ordena relações entre sujeitos e o mundo. Organizar, para Lévi-Strauss, significa atribuir e reconhecer sentidos disponíveis no cotidiano. Tratam-se de normas que estipulam, instituem e convencionam valores e significações que possibilitam a comunicação entre sujeitos e grupos. A sociedade é encarada como uma construção de pensamentos individuais, coletivos e compartilhados. A cultura seria, portanto, uma espécie de mapa que orienta comportamentos na vida social.

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Black Mirror: Cinismo e Crítica da Mídia em “15 milhões de méritos”

Por Julia Lery

Seguindo a tradição das distopias, recentemente resgatadas pelas séries televisivas, episódio “15 Milhões de Méritos” (Euros Lyn, 2011), de Black Mirror, aborda um futuro opressor exagerado, mas incrivelmente próximo de realidades presentes e cotidianas. É exatamente por conta dessa identificação que sentimos ao ver a série que o jargão e a hashtag “isso é tão Black Mirror” tornam-se parte das conversas cotidianas e postagens nas redes sociais.

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Diante da dor dos outros: a cobertura do sofrimento humano em ocorrências de terremotos no mundo

Por Eliziane Silva Oliveira

Na madrugada do dia 24 de agosto de 2016 – ainda noite do dia 23 no Brasil – um terremoto de 6.2 graus na Escala Richter atingiu a região central da Itália, deixando cerca de 300 mortos, dezenas de feridos e centenas de pessoas desabrigadas. Abalos sísmicos na Itália são relativamente frequentes. Entre as explicações apresentadas por cientistas para a intensa atividade sísmica na região estão o grande atrito entre as placas tectônicas da Eurásia e da África e também a existência de um sistema de falhas ao longo de toda a extensão da Cordilheira dos Apeninos.

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A fala simples na reportagem

Por Caíque Pinheiro

No ultimo ano, a Academia Sueca fez juntar-se a nomes como Alice Munro, Doris Lessing, Mário Vargas Llosa e J.M. Coetzee a quase desconhecida Svetlana Aleksiévitch – uma senhora nascida ucraniana e criada na Bielorrúsia. Em comum, esses autores têm o Nobel de Literatura, mas, à diferença de quase todos, Svetlana o recebeu por sua obra não ficcional.

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O cinema de Leon Hirszman como investigação da realidade social

Por Pedro Vaz Perez

Um dos principais nomes do cinema novo no Brasil, Leon Hirszman dedicou sua carreira a filmar injustiças e opressões identificadas no tecido social do país, aprofundando, através do exemplo brasileiro, nas desigualdades do capitalismo. Exprimiu a dupla proposta do movimento cinemanovista – o exercício político e a experimentação estética –, ao longo de seus 12 curtas-metragens e oito longas-metragens, entre ficções e documentários. Registrou e ficcionalizou as relações de trabalho e de classe, as condições de vida e a expressão cultural da parcela batalhadora e sem privilégios da sociedade brasileira, através de uma linguagem seca e direta, buscando a comunicação sem abrir mão do apuro artístico. Em sua estética, informada pelo realismo crítico e pelas lições da montagem soviética, deu-nos a perceber essas realidades a partir de rígidas composições pictóricas e uma precisa direção de olhares, gestos, palavras e movimentos, em momentos combinados a um exercício documental de observação.

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O jornalismo reflexivo de Janet Malcom

Por Bruno Costa

A escrita de Janet Malcolm trabalha no limite da não ficção. Criativa, original, cuidadosa com as palavras, dotada de voz marcada e marcante, a jornalista possui amplo repertório cultural e capacidade de engajar o leitor. É quase surpreendente que Malcolm não tenha se tornado uma ficcionista. E por que ela não se tornou?

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Janet Malcom