Ensaios

A Entrevista de Glenn Greenwald no  Roda Viva e o olhar critico sobre o jornalismo

Por Carolina Lopes

O jornalista Glenn Greenwald, editor do The Intercept Brasil, concedeu na noite desta segunda-feira (2) entrevista a jornalistas no programa Roda Viva, da TV Cultura. Atualmente o The Intercept Brasil tem soltado uma série de reportagens intitulada Vaza Jato, onde informações importantes e comprometedoras dos bastidores da operaçãLava Jato estão sendo divulgadas, mostrando que houve uma “armação política” por parte dos membros do Ministério Público, o que coloca em risco a integridade de todo o sistema Judiciário brasileiro.  

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Diálogos Impertinentes: a televisão universitária em encontro com a sociedade

Por Fábio de Carvalho

O Diálogos Impertinentes foi um programa universitário produzido pela TV PUC em parceria com o Sesc São Paulo e a Folha de São Paulo. No ar de 1995 a 2007, o programa contou com participações de importantes figuras da cultura e intelectualidade brasileira. Trazendo o debate entre diferentes perspectivas sobre temas como utopia, urbanismo, paixão o Diálogos representa um raro momento de convergência entre academia, televisão e sociedade brasileira.

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Disposições sobre anônimos: o sujeito ordinário na história, na sociologia e na mídia

Por Ercio Sena e Juliana Gusman

O artigo pretende refletir sobre a presença de sujeitos anônimos e sobre suas realidades cotidianamente negligenciadas em narrativas midiáticas distintas. Para isso, estabelece relações com estudos sobre a abordagem dos anônimos na história e nas ciências sociais brasileiras. Esses movimentos buscam capturar ações que miram a visibilidade desses sujeitos, pertencentes às classes populares, em vestígios configurados, ou não, por eles. A partir daí, o artigo discorre sobre os desafios que caracterizam a emergência de outros sujeitos, não hegemônicos, na cultura da mídia contemporânea.

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Crítica e reconhecimento: lutas identitárias na cultura midiática

Por Marcio Serelle e Ercio Sena

Este artigo analisa interações polêmicas sobre o filme Vazante e a peça Gisberta, em que grupos identitários vinculados a pessoas negras e transexuais, respectivamente, criticaram o modo como foram representados nessas ficções. A partir da teoria de reconhecimento em Axel Honneth, busca-se compreender a emergência dessas formas de luta social na cultura midiática. Para isso, examinam-se a semântica coletiva e o modo como ela organiza e expressa os sentimentos de injustiça em face dessas narrativas. Os embates evidenciam diferentes reivindicações, que se referem tanto à inclusão cultural como à autonomia da ficção, e propõem relações entre narrativa e sociedade que desafiam a crítica midiática atual.

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Garotas mortas é sobre procura

Por Caíque Pinheiro

Desde a capa da edição brasileira (Todavia, 2018), com a imagem de uma flor muito próxima e de outras mais distantes, todas desfocadas, a não ficção de Selva Almada, Garotas mortas, parece sugerir esta mensagem: seu livro é sobre a busca de ver algo (e também sobre não vê-lo, de fato). No caso, a autora denuncia e investiga mais profundamente três feminicídios ocorridos na década de 1980, em cidades no interior da Argentina; histórias irresolutas desde então, e que – paradoxo posto – mesmo seu bom olhar não contribui para solucionar.

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O show deve continuar?

Por Amanda Diniz

“Criamos uma indústria da moda onde as pessoas morrem e o show continua”, disse Marina Colerato, editora do site modefica. Após a morte do modelo Tales Cotta no dia 27 de abril, que passou mal durante o desfile da marca Ocksa na São Paulo Fashion Week (SPFW), diversos questionamentos sobre posturas no mundo da moda contemporânea começaram a surgir.

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Imagens do leitor: a experiência da leitura como instância da mediação

Por Gabriela Barbosa

A leitura não é uma ação natural, precisamos ser ensinados a ler para ter acesso ao texto (HÉBRARD, 2011). Mas, uma vez aprendida, a leitura se torna um lugar de possibilidades infinitas. Especialmente nos dias de hoje, quando a circulação de livros é mais fluida e permite que mais pessoas tenham acesso à leitura e aos livros que eram antes considerados territórios dominados pelos eruditos.

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Queerbating: eles querem seu dinheiro, não quem você é

Por Victoria Silva Rodrigues

É inegável a má interpretação, processos de estereotipagem e marginalizações de determinadas parcelas da sociedade nas representações midiáticas e em diversos produtos culturais. Filmes, séries, programas de televisão e rádio foram responsáveis por reforçarem preconceitos que até hoje estimulam a constante repulsa a certos grupos, afastando-os de sua devida visibilidade e de seus direitos. Logo, a mídia pode extrapolar sua missão de entreter e pode, também, buscar remediar injustiças sofridas por esses sujeitos através de conteúdos cada vez mais inclusivos. Porém, esta realidade ainda permanece longe de ser alcançada.

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Utopia no fim do homem soviético

Por Ercio Sena e José Milton Santos

Os pesquisadores Ercio Sena e José Milton Santos publicaram o artigo Utopia no fim do homem soviético na revista Intexto, da UFRGS. A proposta deste estudo é de uma análise da utopia na obra O fim do homem soviético, da escritora e jornalista Svetlana Aleksiévich. Escrito a partir de relatos e depoimentos de pessoas comuns, o trabalho da autora é analisado por meio de falas cotidianas que abordam o fim do socialismo na União Soviética. A autora busca a percepção da grande narrativa sobre a construção socialista na visão das pessoas ordinárias, afetadas diretamente por esse período.

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Como a cultura das playlists interfere no processo de produção musical

Por Rafael Mafra

Embaralhar músicas de artistas diferentes em uma playlist não é algo novo. O rádio faz isso desde seus primórdios, alternando uma música do Led Zeppelin com uma do Queen, uma do Michael Jackson com uma da Madonna, uma do Baco Exu do Blues com uma do Djonga, e assim por diante. Um Frankestein diferente a cada era musical. Contudo, a partir de um menor consumo do rádio por parte da juventude, são as plataformas de música por streaming – tecnologia multimídia através da transferência de dados pela Internet – que se tornam o meio privilegiado de consumo de músicas por lista.

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Recorte da fotografia usada na capa do álbum Endtroducing… do DJ Shadow. Foto por Brain Cross

Suspiria: como um remake feito quarenta anos depois acompanhou a emancipação feminina

Por Victoria Silva Rodrigues

Em 2018, o diretor italiano Luca Guadagnino, autor do aclamado Me Chame Pelo Seu Nome (2017), dividiu opiniões sobre seu remake do famoso Suspiria de 77. Ovacionado por alguns, odiado por outros, o próprio Argento, em entrevista, posicionou-se: “traiu o espírito do original”, moderando em seguida e pontuando o produto como “refinado”. É inegável que a obra de Guadagnino sequer se aproxima da lisergia visual construída por Dario, entretanto, alguns aspectos notáveis explicitam o poder de uma história múltipla que acompanha o amadurecimento de uma geração e da sociedade em geral.

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Ficção científica por mulheres: Faculdade de Letras da UFMG promove seminário sobre o gênero literário

O ano de 2018 marca o bicentenário de uma das obras mais aclamadas e reconhecidas da literatura mundial: Frankenstein, escrito pela inglesa Mary Shelley. A obra, considerada por muitos berço da ficção científica, foi o pontapé para a criação do seminário De Shelley a Atwood: Ficção Científica por Mulheres, que ocorreu na Faculdade de Letras (FALE) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no dia 6 de novembro. O evento foi organizado pelo Núcleo de Utopismos e Ficção Científica e, nessa primeira jornada, a palestra de abertura foi articulada pelo professor Julio Jeha.

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Crítica de mídia e estigmas sociais: entre reconhecimento e resistência

Por Gabriela Barbosa

Em função das atividades do VII Seminário Mídia e Narrativa, semana passada recebemos Rosana de Lima Soares — professora da ECA-USP, coordenadora e pesquisadora do grupo de estudos MidiAto — para conversar com os alunos do mestrado e demais interessados sobre crítica da mídia e reconhecimento.

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VII Seminario de Politicas da Narrativas.

O cotidiano nos quadrinhos documentais

Por Douglas Fernandes e Henrique Perini

A noção de quadrinhos documentais, segundo o professor da UFJF, Felipe Muanis, propõe a articulação entre a forma cultural da HQ, comumente associada ao entretenimento, e a narrativa de não ficção. O termo “serviria para designar um gênero mais amplo, um guarda-chuva, contendo outras abordagens como a jornalística, a biográfica e a do relato de viagem”, assinala. Muanis esteve em setembro, na Faculdade de Comunicação e Artes, para dar uma palestra sobre o tema a convite do CCM.

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Jornada das Utopias: dia 27 de setembro

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Jornada das Utopias: dia 26 de setembro

O terceiro dia da Jornada das Utopias começou com um animado carnaval fora de hora. O bloco Abalachita deu início às atividades sediadas no prédio 13. E não foram poucas: tivemos onze oficinas, três workshops, duas palestras e quatro apresentações artísticas distribuídas ao longo de mais um ensolarado dia de setembro.

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Jornada das Utopias: dia 25 de setembro

Por Juliana Gusman

No segundo dia da Jornada das Utopias, os debates começaram na rima da palavra cantada. A potente voz de Azzula, importante artista da cena cultural LGBTQI+ de Belo Horizonte, tomou conta do Teatro do Prédio 30 da PUC Minas e transbordou pela garganta toda a força política de seu corpo preto e travesti. Acompanhada do violonista André Resende, se inspirou em Cássia Eller para criticar aquilo que a sociedade não gosta, exaltou as amarras rompidas pela Dandara de Bia Nogueira e vocalizou em composições de sua autoria outras formas de existir no mundo.

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Jornada das Utopias: dia 24 de setembro

Por Juliana Gusman

A segunda edição da Jornada das Utopias, produção acadêmica promovida pelos cursos de Jornalismo, Cinema e Audiovisual e Publicidade e Propaganda da PUC Minas, teve início na ensolarada manhã do dia 24 de setembro. Uma entrada de semana pouco usual não apenas para os quase mil alunos envolvidos no evento, mas para os ouvintes costumeiros do programa Casa Aberta, da Rádio Inconfidência. Sob o comando do jornalista Elias Santos, o programa foi ao ar direto do hall do prédio 42. Nada mais adequado para a abertura de um projeto que objetiva propor reflexões sobre as principais questões sociais, políticas e culturais de nosso tempo.

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Memória e persistência dos golpes: as revistas brasileiras na análise de Frederico Tavares

Por Juliana Gusman.

A relação de Frederico Tavares com revistas começou, segundo ele, na infância. Seu interesse extrapolou a gaveta na qual guardava “décadas em papel couché” debaixo da cama para se transformar em um persistente objeto de estudo, foco do trabalho do professor do departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Ouro Preto há onze anos. Ao longo do tempo, no entanto, o apreço passou a conviver com certa desconfiança, sentimento profícuo para a perspectiva crítica.

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Palestra “Revista para quem? Crítica ao fazer jornalístico em tempos de GOLPES” com Frederico Tavares no Multimeios do prédio 13.

Um copo de água e um cochilo à tarde

Por Carolina Cassese.

“Quando vocês pediram pra gente escrever alguma coisa da nossa vida, eu achei que não tinha nada pra contar. E até agora eu não sei se eu tenho. Mas depois de um tempo, eu fui tomando gosto de pensar nas coisas que me aconteceram. Comecei a pensar em tudo que eu tinha visto, nas cidades que eu conheci e em todo mundo que eu encontrei pelo caminho. E comecei a pensar muito na Ana. E fiquei pensando que, de tudo que eu vivi, essa história é a que eu mais ia gostar de escrever”.

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Vamo comê? A política antropofágica de Adriana

Por Caíque Pinheiro

Adriana Calcanhotto está de volta ao país. Depois de um tempo em alguns lugares da Europa, como Portugal, onde ensinou sobre poesia brasileira na Universidade de Coimbra, ela traz um espetáculo repleto de intertextualidades, com poderosas canções inéditas e releituras. A Mulher do Pau Brasil começou sua turnê em Belo Horizonte, na noite da sexta-feira, 10 de Agosto, em um Palácio das Artes inteiramente ocupado pelo público. Sua apresentação teve uma bela parte introdutória, um núcleo muito significativo e “encerramentos” dignos de nota.

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(Imagem: Fernando Resendes)

A descoberta de uma anatomia

Por Fábio de Carvalho

Me chame pelo seu nome, que eu te chamarei pelo meu – troca de afetividades, transcorporalidade. Eu em você, você em mim.

O descobrimento de uma dada sexualidade é processual, não há possibilidade instantânea para tal conhecimento. É necessário tocar e ser tocado, sentir e fazer sentir. Esse processo não começa necessariamente pelos rituais programados de uma sociedade heteronormativa, mas pela singularidade de cada experiência. É através da captura de certa singularidade que “Me chame pelo seu nome” (2017), dirigido por Luca Guadagnino, revela sua pertinência ao espectador.

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Um hotel às margens do capitalismo

Por José Victor Fantoni

“Projeto Flórida” é o sexto filme do diretor Sean Baker, que, em 2015, alcançou notoriedade com “Tangerine”, narrativa sobre o cotidiano de duas mulheres trans, colocadas à margem da sociedade, lutando pela sobrevivência no duro mundo da prostituição. “Tangerine” e “Projeto Flórida” se destacam pela capacidade de criação e imaginação, potência crítica e pelo baixo orçamento – ambas as filmagens foram feitas em um estilo seco, sendo a primeira integralmente por câmara de celular.

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Refletindo e desvendando a narrativa na cultura digital com Vera Follain

Por Gabriela Barbosa

Para refletir e enriquecer o debate sobre narrativa e cultura contemporânea, o grupo de pesquisa Mídia e Narrativa recebeu, nos dias 17 e 18 de maio, na PUC Minas, campus Coração Eucarístico, a professora doutora Vera Lúcia Follain de Figueiredo da PUC Rio, que atua no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e também no Programa de Pós-Graduação em Literatura, Cultura e Contemporaneidade, do Departamento de Letras da mesma instituição.

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A reflexividade dos fios expostos: contra-hegemonia no documentário Laerte-se

Por Juliana Gusman

Embora tímida, Laerte Coutinho é uma figura midiática intensamente explorada. Para além de seu prestígio profissional, sua transgeneridade lhe rendeu reportagens, capas de revistas e entrevistas em diversos programas de televisão. Em 2017, tornou-se alvo da câmera de Eliane Brum e Lygia Barbosa da Silva, diretoras e roteiristas do documentário que transforma seu nome em verbo. “Laerte-se” retrata, ineditamente, aspectos da vida da celebrada cartunista, mulher trans que viveu 57 anos como homem. No país que mais mata transexuais, transgêneros e travestis no mundo, Laerte se coloca como notável ativista da causa e acreditamos que a maneira como sua militância artística, corporal e política é representada neste filme pode conflagrar importantes discussões sobre abjeção, humanização, diferença e, claro, gênero.

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Ambiguidades do culturalismo conservador em “Pega Pega”

Por Ester Caroline Rodrigues Pinheiro

A telenovela “Pega Pega”, exibida pela Rede Globo entre 2017 e 2018, teve sua trama inspirada pelo momento político em que o Brasil se encontrava, em que vários casos de corrupção foram publicizados, com a prisão de políticos e empresários. O próprio título da novela: “Pega Pega” remete à ideia de ‘pegar’ os que estariam fora da lei, o que é confirmado no decorrer na trama, que expõe, em sua narrativa, a corrupção de forma generalizada. “Pega Pega” também debateu a idealização do exterior e a desvalorização do Brasil, junto com o pensamento segregacionista da elite e da classe média em relação à chamada classe C.

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Distopia e opressão de gênero: “The Handmaid’s Tale”

Por Gabriela Barbosa e Juliana Gusman

Baseada no livro homônimo da canadense Margaret Atwood, romance distópico publicado em 1985, a série “The Handmaid’s Tale” estreou em 2017, no serviço de streaming Hulu. Aclamada pela crítica, a produção já ganhou vários prêmios: oito prêmios Emmy, em 2017, e dois Golden Globes, em 2018. O mundo de “The Handmaid’s Tale” se passa em um futuro próximo quando uma instituição totalitária toma posse do governo dos EUA e institui uma sociedade dividida em “castas” de acordo com, entre outros aspectos, gênero e estamento. A série foi discutida em três sessões na PUC Minas, promovidas pelo grupo de pesquisa Mídia e Narrativa e o Centro de Crítica da Mídia, com comentários das mestrandas Gabriela Barbosa e Juliana Gusman, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social.

Nos dois textos a seguir, as mestrandas discorrem analítica e criticamente sobre a série, abordando questões acerca das representações de gênero e da distopia na literatura e no audiovisual.

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Jornalismo e o trabalho de tradução da experiência de ocupação urbana

Por Míriam Santini de Abreu e Gislene Silva

O VI Seminário Mídia e Narrativa, com o tema Emergências: novas realidades e as mídias, pautou-se pela constatação de que as mídias têm, historicamente, apagado sujeitos e espaços sociais. Outras narrativas, tanto à margem como em articulação com os meios de comunicação estabelecidos, vêm valorizando vozes até então silenciadas. Entre elas estão as mídias que produzem jornalismo contra-hegemônico, que tem potencial para fazer o trabalho de tradução das experiências sociais que se contrapõem aos modelos hegemônicos ditados pelo capitalismo global, na perspectiva teórica de Boaventura de Sousa Santos.

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Jornalismo alternativo brasileiro: a produção da notícia como iniciativa em economia solidária

Por Elisangela Colodeti

RESUMO: Este ensaio trata do papel do jornalismo contra hegemônico brasileiro, no atual contexto de avanço das políticas neoliberais. Num país onde se vive uma democracia de baixa intensidade e pouco participativa, no qual a distância entre representantes e representados cresce na mesma medida em que o ideal capitalista se edifica enquanto concepção social preponderante, buscaremos entender como o jornalismo alternativo, enquanto parte do campo, se coloca enquanto peça-chave de um conjunto de propostas e práticas de resistência e mudança paradigmática.

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Eu não gosto de Black Mirror

Por Gloria Gomide

Não há como negar que as séries são o melhor formato ficcional adaptado à televisão ‒ difusão regular e pacto com o espectador visto que sua narrativa cumpre a promessa pragmática de regresso.

Como nos antigos folhetins do século XIX, vê-se, portanto que o seriado é sempre composto de uma mesma fórmula. Se no feuilleton original, as histórias ocupavam os rodapés periodicamente, no seriado televisivo as aventuras se desenvolvem sempre no mesmo dia, mesmo horário, com temas atraentes ao público.

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O diálogo sobre o outro e sua subjetividade na reportagem

Por Roberto Barcelos

A sensibilidade aliada à ética é um ponto de embate importante para a jornalista Fabiana Moraes, vencedora do Prêmio Esso de Reportagem em 2011 com o trabalho “O Nascimento de Joicy”. Durante cinco meses de acompanhamento da repórter com a cabeleireira Joicy, nascida no agreste de Pernambuco, que, aos 51 anos, decidiu realizar a cirurgia de redesignação sexual por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

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O machismo introjetado na poesia: formas e conteúdos em O Filme da Minha Vida

Por Nanda Rossi

O “Filme Da Minha Vida”, lançado em agosto deste ano, é o terceiro longa de direção de Selton Mello. Baseado no livro “Um Pai de Cinema”, do chileno Antonio Skármeta, o filme conta uma história ambientada nas Serras Gaúchas nos anos cinquenta. Os pontos a serem discutidos passam, aqui, por três eixos: a forma, a estrutura (como parte da própria forma), e a temática. A forma e a estrutura, elementos principais do filme, sustentam e fazem do longa o que ele primeiramente é: uma beleza dotada de grande dose de poesia. Mas que não apagam, afinal, a problemática no conteúdo — a maneira como a temática foi conduzida e principalmente concluída: a estereotipização das personagens femininas e o machismo de um pai vangloriado que acaba por ser tratado de forma leviana.

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HOMOSSEXUALIDADE NO CINEMA: REALIDADES EM CONFLITO

Por Roberto Barcelos

Pensar sobre cinema é analisar como representações influenciam espectadores e formas de significar o mundo. Em espaços alternativos às produções realizadas pelo audiovisual televisivo, assuntos considerados tabus para muitos são tratados com uma visão crítica e delicada por diretores e roteiristas. Logo, o gay no cinema e suas diversas facetas podem ser enxergados como um ato político de representatividade.

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Fritz Lang e a ideologia: a construção do contraditório entre o cinema e a história

Por Pedro Vaz Perez

Não são muitos os diálogos reservados por Jean-Luc Godard a Fritz Lang em O Desprezo (1963). Mas, naqueles momentos em que ouvimos o personagem-ator-diretor, temos a justa medida de um grande homem que enfrentou o fascismo na Alemanha para cair nas mãos tiranas do produtor hollywoodiano. “Anos atrás, uns anos horríveis atrás, os hitlerianos diziam “revólver”, em vez de “talão de cheques”, ironiza Lang ao responder à provocação do capitalista americano Jeremy Prokosch: “quando escuto a palavra cultura, eu puxo meu talão de cheques”.

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Eu não sou seu negro: o racismo daqui e o racismo de lá

Por Pablo Moreno Fernandes Viana

O Oscar 2017 foi marcado por um momento de transição na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos. Desde as críticas por conta da ausência de representatividade negra nos filmes indicados à premiação em 2016, muito se discutiu a respeito da temática. Isso refletiu nos indicados de 2017: pela primeira vez na história, vários atores e atrizes negros concorreram em diversas categorias. Filmes com temáticas direcionadas aos negros disputaram estatuetas, diretores negros foram indicados, além de haver representantes também em diversas categorias técnicas. Um grande passo rumo a uma maior inclusão e representatividade na principal premiação do cinema comercial no mundo.

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A representação do outro em Deus e o Diabo na Terra do Sol

Por Roberto Barcelos

A promessa de o mar virar sertão e o sertão virar mar é um ponto de esperança na narrativa do filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964). Dirigido e roteirizado pelo cineasta Glauber Rocha com a colaboração do documentarista Walter Lima Jr., o longa-metragem faz valer ao nome o diretor ao lado de outras obras dele, como “Barravento” (1962) e “Terra em Transe” (1967). No filme, encontramos o posicionamento político do diretor como um autor, dono de sua obra e de um pensamento forte de revolução. Todavia, sua temática socialista e a luta do proletariado contra o sistema que o oprime é compreendido, infelizmente, apenas por aqueles que estudam a obra do Glauber Rocha e a sua importância para o cinema nacional.

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Crítica de Mídia e Arte Urbana: manifestações culturais e visibilidades periféricas

Por Rosana de Lima Soares

Na oficina “Crítica de Mídia e Arte Urbana”, buscamos apontar a presença da arte urbana na cidade de São Paulo (SP) e as diferentes narrativas presentes nas mídias a respeito dessa questão, tendo como objetivo analisá-las em perspectiva crítica a partir de aportes dos estudos de discurso e dos estudos culturais. Os objetivos foram: a) compreender a função da crítica de mídia; b) observar diversas narrativas midiáticas em torno de uma mesma questão, enfatizando os estigmas, estereótipos e preconceitos nelas presentes; c) realizar a análise crítica de narrativas midiáticas sobre a questão do grafite na cidade de São Paulo.

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Whitewashing: a herança de um passado xenófobo na indústria do cinema

Por Roberto Barcelos

Apesar das inúmeras contribuições do cinema hollywoodiano para a indústria audiovisual, existem certas lógicas de seu sistema que influenciam a construção social e a marginalização e estereotipização de certos grupos sociais em diversos níveis. O whitewashing é uma forma de violência simbólica que elimina a representação de etnias não caucasianas em filmes, séries, seriados e novelas, criando uma realidade narrativa composta por personagens de aparências homogêneas de acordo com o padrão de beleza vendido por essa indústria. Essa prática recorrente, ainda, elimina a representatividade e naturaliza preconceitos.

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Feminino de peitos

Por Juliana Gusman

Lévi-Strauss, citado por Rodrigues (1979) propõe abordar a sociedade a partir da perspectiva de que o comportamento humano e as relações sociais constituem uma linguagem. Para o autor, o espírito humano opera em uma estruturação inconsciente que ordena relações entre sujeitos e o mundo. Organizar, para Lévi-Strauss, significa atribuir e reconhecer sentidos disponíveis no cotidiano. Tratam-se de normas que estipulam, instituem e convencionam valores e significações que possibilitam a comunicação entre sujeitos e grupos. A sociedade é encarada como uma construção de pensamentos individuais, coletivos e compartilhados. A cultura seria, portanto, uma espécie de mapa que orienta comportamentos na vida social.

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Black Mirror: Cinismo e Crítica da Mídia em “15 milhões de méritos”

Por Julia Lery

Seguindo a tradição das distopias, recentemente resgatadas pelas séries televisivas, episódio “15 Milhões de Méritos” (Euros Lyn, 2011), de Black Mirror, aborda um futuro opressor exagerado, mas incrivelmente próximo de realidades presentes e cotidianas. É exatamente por conta dessa identificação que sentimos ao ver a série que o jargão e a hashtag “isso é tão Black Mirror” tornam-se parte das conversas cotidianas e postagens nas redes sociais.

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Diante da dor dos outros: a cobertura do sofrimento humano em ocorrências de terremotos no mundo

Por Eliziane Silva Oliveira

Na madrugada do dia 24 de agosto de 2016 – ainda noite do dia 23 no Brasil – um terremoto de 6.2 graus na Escala Richter atingiu a região central da Itália, deixando cerca de 300 mortos, dezenas de feridos e centenas de pessoas desabrigadas. Abalos sísmicos na Itália são relativamente frequentes. Entre as explicações apresentadas por cientistas para a intensa atividade sísmica na região estão o grande atrito entre as placas tectônicas da Eurásia e da África e também a existência de um sistema de falhas ao longo de toda a extensão da Cordilheira dos Apeninos.

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A fala simples na reportagem

Por Caíque Pinheiro

No ultimo ano, a Academia Sueca fez juntar-se a nomes como Alice Munro, Doris Lessing, Mário Vargas Llosa e J.M. Coetzee a quase desconhecida Svetlana Aleksiévitch – uma senhora nascida ucraniana e criada na Bielorrúsia. Em comum, esses autores têm o Nobel de Literatura, mas, à diferença de quase todos, Svetlana o recebeu por sua obra não ficcional.

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O cinema de Leon Hirszman como investigação da realidade social

Por Pedro Vaz Perez

Um dos principais nomes do cinema novo no Brasil, Leon Hirszman dedicou sua carreira a filmar injustiças e opressões identificadas no tecido social do país, aprofundando, através do exemplo brasileiro, nas desigualdades do capitalismo. Exprimiu a dupla proposta do movimento cinemanovista – o exercício político e a experimentação estética –, ao longo de seus 12 curtas-metragens e oito longas-metragens, entre ficções e documentários. Registrou e ficcionalizou as relações de trabalho e de classe, as condições de vida e a expressão cultural da parcela batalhadora e sem privilégios da sociedade brasileira, através de uma linguagem seca e direta, buscando a comunicação sem abrir mão do apuro artístico. Em sua estética, informada pelo realismo crítico e pelas lições da montagem soviética, deu-nos a perceber essas realidades a partir de rígidas composições pictóricas e uma precisa direção de olhares, gestos, palavras e movimentos, em momentos combinados a um exercício documental de observação.

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O jornalismo reflexivo de Janet Malcom

Por Bruno Costa

A escrita de Janet Malcolm trabalha no limite da não ficção. Criativa, original, cuidadosa com as palavras, dotada de voz marcada e marcante, a jornalista possui amplo repertório cultural e capacidade de engajar o leitor. É quase surpreendente que Malcolm não tenha se tornado uma ficcionista. E por que ela não se tornou?

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Janet Malcom