A entrevista de Glenn Greenwald no “Roda Viva”e o olhar crítico sobre o Jornalismo

Por Carolina Lopes. O jornalista Glenn Greenwald, editor do The Intercept Brasil, concedeu na noite desta segunda-feira (2) entrevista a jornalistas no programa Roda Viva, da TV Cultura. Atualmente o The Intercept Brasil tem soltado uma série de reportagens intitulada Vaza Jato, onde informações importantes e comprometedoras dos bastidores da operaçãLava Jato estão sendo divulgadas, mostrando que houve uma “armação política” por parte dos membros do Ministério Público, o que coloca em risco a integridade de todo o sistema Judiciário brasileiro.  

A entrevista recebeu diversas críticas do público e também de profissionais da comunicação, como foi o caso do Jornalista Maurício Stycer, do portal UOL, que escreveu em sua coluna: 

 A entrevista de Glenn Greenwald no Roda Viva” nesta segunda-feira (02) foi muito frustrante para quem tinha interesse em entender melhor o impacto e os desdobramentos do furo de reportagem do site The Intercept Brasil. O programa rumou em outra direção, mais técnica, sobre os bastidores da série que ficou conhecida como Vaza Jato.  O problema deste caminho tomado pela conversa é que não estamos habituados a discutir bastidores da mídia publicamente no Brasil. Há poucos jornalistas especializados em comunicação nos grandes veículos – e os assuntos ligados a esta área normalmente são tratados pelos profissionais da área de economia Se a intenção era questionar aspectos técnicos e éticos do procedimento do site que revelou o caso, a TV Cultura poderia também ter convocado para a bancada profissionais mais especializados, dedicados a isto, como algum ombudsman, acadêmicos respeitados na área, observadores de mídia. Houve uma preocupação, clara, de não convidar jornalistas de veículos que estão atuando em parceria com o The Intercept. Tudo bem. Mas a opção por colegas de empresas que enxergam com ceticismo o conteúdo da Vaza Jato não produziu o efeito desejado.  O ceticismo é saudável e necessário. Mas diante dos fatos já revelados até agora, ao longo de quase três meses, muitas das perguntas ultrapassaram o nível da curiosidade e soaram ingênuas e/ou desrespeitosas. Serviram mais para mostrar descontentamento de quem perguntava do que, de fato, interesse em esclarecer algum aspecto ainda não discutido do trabalho de Greenwald. Acho que muitas das questões não teriam sido feitas se o furo do The Intercept tivesse sido dado por um veículo de mídia tradicional impressa. Aliás, não me lembro de o Roda Viva” ter promovido uma entrevista semelhante, no tom questionador desta segunda-feira, com outro autor de um grande furo para discutir como fez a sua reportagem. O corporativismo não permitiria 

Outro jornalista que também criticou a entrevista foi Luis Nassif, ex-colunista e membro do conselho editorial do Jornal Folha de S. Paulo, que acredita que a entrevista no Roda Viva foi uma demonstração de que o jornalismo praticante perdeu noção dos princípios e papéis básicos do jornalismo. Mostra que há uma ignorância ampla sobre fundamentos básicos de jornalismo, praticados em qualquer país civilizado. Lembra em muito os jornalistas do sistema nos tempos da ditadura. 

Apesar das críticas aos entrevistadores e às perguntas feitas, que não aprofundaram nos conteúdos dos materiais divulgados pelo The Intercept Brasil, há quem diga que a entrevista foi positiva. Glenn Greenwald teve a oportunidade de rebater perguntas do senso comum e ensinar para os espectadores sobre a ética no jornalismo.  

 

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